quarta-feira, 21 de novembro de 2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

IGREJA DE CABRELA ---- MONTEMOR NOVO


IGREJA NA MINA DE S. DOMINGOS


IGREJA MATRIZ DE ALVITO


RIO MIRA FOTO NUNO LOU


DECIMAS DE MANUEL GRAÇA SOBRE A BARRAGEM DE STª CLARA NO RIO MIRA







O Rio Mira tem uma barragem 
A barragem tem um canal 
Por onde a água segue viagem
Para ir regar ao litoral


Nos tempos de antigamente 
Nos campos ficava a mágoa 
Porque uma abundância de água 
Corria e seguia em frente
Quando chegava o tempo quente
Secava tudo na margem 
Mas uns homens de coragem 
Fizeram uma obra rara 
Hoje a montante de Santa Clara 
O Rio Mira tem uma barragem



É uma obra impressionante
Muito bem delineada
Tem muita água armazenada
Cobre uma vasta area regante
A barragem é muito importante 
Das maiores de Portugal 
Deveras fundamental
Para compensar anos de seca
Para regar a charneca
A barragem tem um canal



É obra de engenharia
Talhada por mão humana
Nesta serra Alentejana 
Tem por certo a primazia
Trabalhada com mestria
Mostra bem a sua imagem
Constituindo a viragem 
Do passado para o presente
É uma estrada diferente 
Por onde a água segue viagem



Nesses tempos que lá vão
Toda a água que chovia 
Pelo Rio Mira corria
Sem ninguem lhe pôr travão
Depois desta construção
Nada máis seria igual
Sendo um bem essencial
Para dar produto á terra
A barragem é cá na serra 
Para ir regar o litoral



Manuel Graça


Porto Covo na década de 40



Porto Covo, terra mítica para mim, é assim como uma segunda terra-mãe, cujo espírito do lugar e misticismo, involuntária e subconscientemente eu e meus irmãos fomos transmitindo aos nossos filhos e sobrinhos.
Devo ter ido pela primeira vez “a banhos” para Porto-Covo em 1945, pois lembro-me vagamente que fomos transportados para lá pelo tio Jacinto, que, solteiro ainda e toda a vida, tinha a profissão de almocreve “carreteiro” na aldeia.
Fomos fazer os preparativos a casa da avó Camila, em Santa Luzia. Lá se fizeram as popias caiadas (ainda hoje as recordo a enxugar ao sol, perto da porta do amplo quintal), em dois enormes varais, precisamente os mesmos que eram usados na secagem das linguiças. Parece-me ainda ouvir a voz do avô Generoso, no seu bom humor:
- Meninas, recolham ”a frasca” por causa do Piloto.
Ultimavam-se os preparativos com a cozedura do pão (uma arroba de farinha) para ir fresco e mole.
No dia da partida levantava-se o tio às quatro e trinta da madrugada para dar de comer às mulas, procurar a sua manta de viagem, listrada de branco e preto tecida no velho tear, a respectiva candeia de almocreve e ajustar os animais ao carro de parelha.
Este tinha um banco corrido de taipal a taipal, onde se sentava o tio Jacinto, a tia Augusta Camila e a mãe. Eu e a minha irmã íamos atrás, sentadas sobre colchões instalados no fundo do carro.
O pai ficava em Colos, na nossa casa, qual Tomé da Póvoa dos “Fidalgos da Casa Mourisca” como honrado agricultor a labutar pela terra e pela sua profissão de abegão. Só lá iria ter connosco aos fins-de-semana, na sua velha pasteleira. 
Saíamos pela madrugada, com o carro de mulas bem atafulhado de “tasana” (uma tralha de coisas). No fundo do carro iam as esteiras de palhinha, os colchões de boa lã, dobrados ao meio e atados com baraços. Por cima, algum as mantas e um “talego” com os lençóis e as toalhas, dois travesseiros compridos e alguma roupa de vestir.
Levava-se uma infusa de folha-de-Flandres com cinco litros de azeite, a quarta de barro para a água, a trempe de ferro, o fogareiro um saco de linho grosso (fiado pela avó) cheio de farinha, etc… Durante aquele mês, a mãe cozeria o pão no forno local.
A viagem era longa, perto de dez léguas. Os caminhos eram maus, com buracos, e os tombos do carro”amassavam as costelas”, no dizer de minha mãe. Viagem árdua, a afectar de dores os rins, a sua dureza era amenizada pela beleza das paisagens e pelas referências que a mãe ia fazendo ao atingir sítios conhecidos e montes alentejanos onde vivia gente amiga.
Um pouco para além do Cercal junto a uma grande árvore, fazia-se a paragem para almoçar e descansarmos. A mãe e os tios juntavam lenha (gravetos caídos das árvores) e faziam a fogueira. A mãe tirava do carro a trempe, o tacho de barro e os pratos de esmalte e confeccionava umas sopas de pão com tomate e ovos.
Depois de almoço prosseguíamos viagem. O caminho era pela Cabeça da Cabra, com estrada velha e sinuosa de terra batida, que ora atravessava ribeiras espraiadas ora estreitava com as plantas. Então o tio descia e com uma navalha cortava os ramos que impediam a passagem.
À medida que se aproximava o litoral, antevíamos com expectativa o momento em que havia de surgir uma paisagem onde confinassem, numa mesma linha, céu e mar.
Pelas quatro e meia da tarde, enfim, estafados e ansiosos, fazíamos a entrada triunfal em Porto Covo, parando no fim da rua, mesmo em frente da baía.
Estas são as mais antigas recordações das idas para o PortoCovo, onde na infância, despertei a imaginação, na adolescência, as suas belezas me incitaram à poesia, na idade adulta encontrei quem me acompanharia para o resto da vida

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

OS BENEFICIOS DA ROMÃ --- FOTO DE FRANCISCO MARQUES



Os benefícios da romã

Rica em água, potássio e antioxidantes e com apenas 50 calorias

• Antioxidante: previne doenças cardíacas, tem ação semelhante ao do chá verde, sendo superior ao vinho tinto. Diminui o mau colesterol.

• Anti-inflamatória: é indicada para artrite reumatoide, doenças inflamatórias intestinais, e da mucosa oral. Não afeta a função cardiovascular como acontece com alguns medicamentos anti-inflamatórios. Também tem ação antibacteriana.


• Anticancerígena: diminui a proliferação e crescimento celulares, previne câncer de próstata, oral, cutâneo, mamário, pulmonar, cólon e leucemia.



• Hipertensão e Aterosclerose: O consumo diário de 50ml de suco de romã diminui a espessura da íntima média, além da redução da pressão arterial e da peroxidação lipídica, ou seja, a oxidação da gordura, gordura oxidada (é este tipo de gordura que entope os vasos).



Já o consumo de 240ml de suco de romã, age na redução da isquemia induzida por estresse.



• Diabetes: Ação hipoglicemia te (extrato da Púnica) diminui a glicemia pela inibição da absorção de carboidratos.



• Beleza: A romã é rica em antioxidantes, que combatem os radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento precoce, leia-se flacidez cutânea, perda da elasticidade, rugas e manchas.



Aumenta o fator de proteção do filtro solar que você aplica na pele, o ácido elágico potencializa os níveis de glutationa, antioxidante produzido pelo organismo e que protege as células da ação dos raios solares, fonte de radicais livres. Além disso, inibe a proliferação de melanócitos, prevenindo manchas de sol.



Tudo de bom!!!



Como consumir a Romã: Além de consumi-la em saladas de frutas ou como condimento de preparações salgadas, você pode se beneficiar usando-a em chás.



O chá feito com as folhas de romã é usado na medicina contra irritação nos olhos, e o chá produzido com as cascas da fruta, para tratamento, na forma de gargarejo, de infeções de garganta. 



Para aproveitar os benefícios da romã você também pode bater no liquidificador a casca, as sementes e a polpa com um pouco de água, coe e beba em seguida.



CHÁ DE FOLHA DE OLIVEIRA --- FOTO DE FRANCISCO MARQUES




Chá da folha de oliveira


A folha é uma verdadeira pérola medicinal que ajuda a estimular e a acelerar o metabolismo. Os extratos das folhas apresentam também minerais essenciais para combater o cansaço.
As folhas da oliveira contribuem também para aumentar a sensação de saciedade mais rápida, absorvem gordura no intestino, melhoram o trânsito intestinal, possuem alto teor de CLA que ajudam no processo de emagrecimento. São indicadas como auxiliar na eliminação de gordura abdominal, mas só darão resultados se aliar também uma alimentação saudável e exercício físico.
Também apresentam diversas propriedades medicinais, nomeadamente: antibacterianas, anti-inflamatórias, antioxidantes, combatem o colesterol, ajudam a controlar a hipertensão e combatem os radicais livres que são responsáveis pelo envelhecimento.
São igualmente ricas em cobre, fósforo, magnésio, manganês, selênico, zinco, ácidos graxos ômega 3, 6 e 9 e também em vitaminas A, E, B1, B2, B3 e B6.
Atualmente é utilizada como ingrediente de antioxidantes e antimicrobianos. Apresenta também propriedades anti-parasitárias, anti-fúngicas e ajuda contra doenças cardiovasculares (por exemplo a pressão arterial elevada), a criar imunidade contra pessoas de qualquer outra doença e cura infeções de pele.
Os benefícios medicinais da folha são muitos e é algo que as pessoas devem aperceber-se e preservar para que continue a ser utilizada para curar diversas doenças.


CHÁ DE POEJO



CHÁ DE POEJO – RECEITA
Partes do poejo usadas no chá: Talos e folhas
Indicação do Chá de Poejo: Expectorante, gripes, resfriados, tosse crônica, asma, diarréia, enjôo, acidez e ardor no estômago.
Como fazer: Coloque 2 colheres de sopa de erva para um litro de água, quando a água alcançar fervura, desligue. Tape e deixe a solução abafada por cerca de 10 minutos. Em seguida, é só coar e beber.
Como beber: Tomar de 2 a 3 xícaras ao dia. Ou use 5g de poejo em 100ml de água fervente por 10 minutos e Tome após as refeições.
Contra-indicação: em grandes quantidades ou em forma de óleo, o poejo pode ser toxico. Grávidas não devem consumir.
Modo de preparo: coloque, em uma panela vazia, 2 colheres (sopa) de folhas frescas de poejo. Despeje 1 litro de água fervente por cima, tampe e deixe descansar por 15 minutos. Espere amornar, coe e beba 1 xícara (chá) a cada 6 horas.
Dica: Para constipações, Faça o chá de poejos e depois adoce com rebuçados de mentol.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012


Na Taberna 

À mesa da taberna os homens começaram por beber vinho e falar em poucas palavras. O vinho - e que bom que ele era – bebiam-no em copos pequenos porque assim sabia ainda melhor. Copo atrás de copo, facilmente perderam a conta às vezes que os subiram à boca, cheios, e os poisaram na mesa, vazios, para alguém os voltar a encher. 

Vá mais uma rodada!


A pouco e pouco os homens já falavam com mais palavras, muitas mais, mas dizendo coisas com menos sentido . O vinho era bom. As maçãs, o queijo e as azeitonas já tinham escorregado goela abaixo envolvidas pelo tinto e pelo pão caseiro.



Vá mais um copo!



O vinho era realmente bom. À mesa da taberna já se cantava. E como se cantava com vinho na dose certa. Outra rodada e mais outra e muitas mais. Já com as facas do petisco nas algibeiras, os homens lançavam-se desamparados e de peito cheio para as modas fortes, arrastadas. Não acabavam uma para logo começarem outra. À mesa já havia pelo menos dois a fazer a voz de alto. Outros dois desafinavam e não se davam conta. O outro olhava às horas e não via o relógio.



Por trás do balcão o taberneiro apagava a televisão e olhava às horas. No relógio via que estava na hora de fechar a porta. 



Amanhã há mais, meus amigos. Está na hora. Já sabem que aqui na taberna do Etelvino nunca se acaba o vinho! Fp



A Venda




Com os corpos dormentes da enxada, na horta, ou cansados da labuta contínua, a tratar dos bichos, ao lusco-fusco esfregavam as botas na erva, batiam os pés - para tirar a maior – compunham a fralda da camisa, e os passos dos homens iam sempre na mesma direção - na direção da Venda.


Ainda não se tinha vulgarizado o nome de café, e também não se dizia mercearia, nem mesmo Taberna, ou adega - era A Venda.

E na Venda, que eu conheci bem num Monte, no interior do Alentejo, vendia-se de tudo.
Nas Vendas, não se faziam as compras; compravam-se as "coisas", fazia-se o «avio». 

Coisas de mercearia, como vinho aos litros - levando garrafa para encher – os grãos, chicharos e feijão, medidos no litro de madeira e passada uma resoira, para tirar o cagúlo- rouba-me no preço mas não me roubes na medida - diziam. 
Folhas de toucinho com vários dedos de altura e Sabão, azul em barras. Cortados com a mesma faca? Havia o açúcar Sidul e o café Sical ou Delícia Negra (um mais forte, outro menos - mais «àzinha de mosca»).

Algumas coisas embaladas, mas a maioria avulso, a peso, à medida, a olho. Tudo enrolado em papel pardo, de cima do balcão para dentro duma alcofa, depois de conferido em voz alta pelo dono da Venda, somado em contas, com muitas parcelas e a prova dos nove ao lado. 

O pagamento ou o prego.
O prego era uma coisa de que se falava baixinho, além mais para a ponta do balcão corrido.

«Deixe estar, não paga hoje, paga para a semana, tenha agente saúde.»

Então, meta no prego e vá mais um maço de Provisórios.

O Café era moído na hora - aquele cheiro - vendido num cartuxo de jornal, pesado numa balança branca, com um prato e um ponteiro. 
Umas três velas de sebo, para engraxar as botas. Cardadas. 
O petróleo, que era à parte – houve quem o metesse na carne das chouriças por engano pensando ser vinho - numa garrafa de "zinebra", para acender a candeia, à noite a um canto, depois de lhe limpar a chaminé de vidro, ou quando esse estivesse partido, o de lata, mandado fazer no latoeiro, fácil de atiçar o morrão.

Lá estava, atrás do balcão, o Jogo dos Furos. 
Pendurado, com uma caneta Bic já sem carga, amarrada com um fio de guita encerado, para furar.
Furava-se primeiro, naturalmente, em cima da àguia do benfica (se fosse na cabeça era melhor), ou no corpo do leão, ou na crista do dragão, que deve ser onde saem mais facas.
Não sendo possível, servia mesmo no quadrado do Belenenses, que era sempre o que estava menos furado e ficava para a última.
Para sair, tinha de se ter fé naquilo aonde se furava.
Tentava-se furar a sorte, mas saía quase sempre, apenas, um rebuçadinho... 

Queres de laranja ou queres de limão? 

Ás vezes saía uma bela faquinha, nova em folha, com o cabo colorido e era uma alegria. E no fim, quem acabasse cada um dos 4 quadros que perfaziam o todo, ganhava a lanterna, e o que acabasse o jogo dum todo, agarrava o relógio de pulso, ou mesmo, às vezes, uma telefonia.

E será que a telefonia toca? Toca, Toca, dizia o dono da Venda.

No outro canto da Venda, tanto podia ser a Taberna, como a Barbearia.

Na Venda, conversava-se. Muitas conversas, muitas vozes de homens ao mesmo tempo, que animavam, confortavam a alma, as vozes.
Sabia-se de tudo o que pudesse interessar, de todas as novidades se falava na Venda. Havia os que têm conversa, e os que não tem conversa que se veja.
Prevalecia sempre -a oralidade. Só mais tarde veio a TV, que, numa prateleira, só serviu para calar as pessoas e lhes apagar as memórias..

Cada qual mostrava-se como era, e cada um era, sobretudo, o que ia construindo em cada um dos outros, pelas palavras.
Cada um com o seu feitio. Uns que se dão melhor com uns do que com outros. Sempre assim hà-de ser.

Jogavam à carta.
Aos «três setes», que é jogo de homem. Esta coisa de sueca é moda nova, e bisca, burro «dempé» e burro deitado são coisas de gaiatos.
Aos «3 setes». Não há trunfos, nem pode haver sinais. E quando se joga paus, joga-se bem, que o pau é a defesa dum homem.
Joga-se de parceiros. Cruzados, frente a frente.Dois contra dois,bebem os quatro.
Embaralham-se as cartas, parte-se o baralho, e dão-se de 5 a 5, em duas voltas, até perfazer 10 cada um, da direita para a esquerda, de roda.

Há quem não conte o jogo e há quem leve o jogo contado, da primeira à última vaza para saber que cartas faltam sair. 
E há quem às vezes ponha as cartas na mesa. Bate-as com força, e está ganha a partida. 

Tardes inteiras entretidos à roda das cartas. Já batidas e varridas, vezes sem conta.
Contar as vazas, ver as figuras e as cartas brancas. O rei vale 3, o cavalo, a sota. A manilha- nos três setes - não vale nada, é um sete, apenas.
O seis é o seis, e o sete é o sete, mais nada.
O às vale muito, mas mata pouco. Todos lhe montam o cerco para matar os àzes.
O que mata mais são os ternos e os duques. Só me saem duques e senas tristes, repetia um.
É a tua vez de jogar, diz outro.

E o taberneiro lá ia enchendo os copos. Há um que só bebe branco, por causa da azia, outro que é gasosa, porque está arlampado- tem que se respeitar o beber deles.

Paga quem perde, pertence ser assim. A menos que algum se lembre de, por sua conta, pedir mais uma rodada, em o jogo sendo demorado e a sede maior que a coragem.
Mete-se o copo à boca um nadinha, só para o provar, mastigar o vinho ao de leve. E depois, zás, cá para baixo.

No final de cada partida, conta-se a pontuação e puxa-se.
Puxa-se o feijão.
Puxa-se o feijão cru, que mais logo em casa, logo se puxa o feijão cozido, quando a mulher repartir as sopas, da tijela para os pratos, de algum jantar de feijão.

Uma caixa de fósforos, a dividir a pontuação. Puxam-se os tentos de um lado ( pertence ser atrás), e à frente, as polhas. 10 tentos é uma polha.
Joga-se até fazer 4 polhas, até aos 40 tentos. Normalmente feijões, podendo ser grãos, chicharos, pedrinhas da rua.
Quando uns fazem as vazas todas, e os outros não matam vez nenhuma, é um Capote. Levam uma Capote, é uma bigodaça.
É uma vergonha, levar um capote. 
Mas elas, as cartas, é que mandam. 
E quando elas não querem, não venham nem mandem.

Há-os que se sentam à roda dos que jogam, e entram quando algum tem de sair, ou toma conta do jogo, se ele for ao urinol.
A «Venda», vejo-o agora, era afinal, um nome mal posto.

Com os olhos vendados, andamos nós agora, e pensamos que sabemos muito.

Porque na Venda, afinal, dava-se sempre muito mais do que se vendia.


domingo, 11 de novembro de 2012

POEMA DE GRAÇA BASILIO --- ALENTEJO




Será tela?
Miragem?
Ilusão ou verdade?
Fantasia ou realidade?
Uma mistica visão
Paraíso terreno
Maravilhosa vastidão
Paro.............
Vejo e revejo
E descubro um tesouro chamado ALENTEJO....


Graça Basilio.

SE FORES AO ALENTEJO --- POEMA DE MANUELA MEDEIROS





SE FORES AO ALENTEJO


Se fores ao alentejo
Leva a minha saudade
Dá-lhe o meu doce beijo

Diz-lhe que o amo de verdade


Se la fores não te esqueças
De ver o que eu não vejo
E trazer quando regressas

O calor que eu tanto invejo


Leva todo o meu carinho
Que a saudade me implora
Um abraço e um beijinho
Duma alma que longe chora



Vai por mim,leva a certeza
De uma lágrima caída
Que ao chorar sua beleza
Chora o amor da minha vida



M.Medeiros 11/11/2012

sábado, 3 de novembro de 2012

IGREJA DA ALDEIA DE MARMELAR ---- VIDIGUEIRA


CONVENTO DOS CAPUCHOS ---- PORTEL


IGREJA DE S. BENTO ENCONTRA-SE ISOLADA NA PLANICIE A UNS 2 KM DE VILA NOVA DE S. BENTO


MATRIZ DE VILA NOVA DE BARONIA



Noite de Bruxas - (Conto de Arrepiar)


Seriam umas quatro da manhã.
Toda a gente dormia quando Eles chegaram à rua daquela casa.

Os pais dormiam no quarto da frente.
As crianças dormiam profundamente naquele a que chamavam o quarto novo, no sotão.
Era aí que a mãe os tinha deixado horas atrás quando tinha ido desligar o aquecedor a oleo, antes de se ir deitar como fazia todas as noites.
Enquanto descia a escada, tinha-se lamentado pela maldita hora em que tivera anuído na péssima ideia de os deixar meter uma cama no sotão.
Ao mesmo tempo, o marido, que tinha ficado no salão do rés do chão, subia para o quarto após o habitual zapping, denunciado pelo silenciar da TV, pelos canais escondidos na listagem acessível ao resto da família.

Ninguém deu por nada, que a noite anterior tinha sido longa, o jantar pesado, conversa até tarde.

Eles traziam o rosto quase completamente coberto.
Cuidadosamente, enfiaram as luvas para que pudessem fazer o seu trabalho, sujo, sem qualquer marca. Cirúrgico.
Profissionais, cada movimento estava completamente planeado, e os 3 sabiam de cor cada detalhe para que o seu «trabalho» fosse executado no menor tempo possível.
Estava imenso frio, mas eles iam fazer o que tinha de ser feito.
Ninguem daria por nada.
Talvez um cão ladrasse.

Quando saíram do local onde tinham o carro, não trocaram uma única palavra.
Cada um sabia exactamente ao pormenor a sua missão.
Num último olhar, cada um dos 3 leu nos olhos dos outros 2 a certeza de que estava na hora e os 3 viram imediatamente que cada um se sentia preparado.
Subiram as golas dos fatos e partiram.

Quando chegaram ao objectivo, como era habitual, Um deles ficou dentro do veículo, sempre com a ignição ligada.
O barulho abafado do motor, como se tivesse algum tipo de silenciador, permitia que se deslocassem pela calada da noite, numa cadência encenada, quase dança, silenciosa, quase fantasma.
Os outros Dois, avançaram para o primeiro objectivo.
Pouco depois, ouvia-se um barulho que vinha da rua.
Um guinchar metálico ecoava na noite.
Um tiro? um silvo? Um uivo? Um grito?

Quem, com aquele frio dentro de casa, aquela hora da noite de 31 de Outubro, tivesse tido a coragem para erguer-se da cama e se tivesse aproximado
da janela, teria visto afastar-se um estranho carro, com dois vultos de 2 homens pendurados nas traseiras a afastar-se na bruma gélida da noite.

Quando chegaram ao fim da sua viagem, estavam exaustos e enrregelados.
Sofrem muito, os homens do lixo. ;))