Lampreia ...prato da região de Mértola
Um espaço para revisitar as emoções vividas no Grupo do Facebook: Alentejo-Terra e Gente
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
OS MONTES TAMBÉM MORREM
O Monte pertence á minha familia há quatro ou cinco gerações e sobretudo as primeiras três gerações tiveram uma dinâmica evolutiva muito própria, com tudo aquilo que era respeito pela natureza.
O meu avô e o meu pai faziam isso. Antes de pôr uma parelha de mulas na terra, andava um rancho de mulheres á frente a marcar as azinheiras. Porque eles sabiam a importância disso, eles sabiam que para ter boas colheitas tinham de ter muitos seres vivos aqui.
Viam a terra como "Gaia", um organismo vivo. E isto é fundamental, se isso não entrar na cabeça das pessoas, ninguém vai conseguir mudar nada...
Quando começam a vir os quimicos e as máquinas, na geração do meu pai e do meu tio, a partir daí há uma mudança muito rápida.
E aí tiveram de arrancar árvores que foram protegidas com muito carinho durante tanto tempo, porque a máquina não passa por baixo, começaram a despedir pessoal e a criar uma dinâmica diferente:
O Monte era um núcleo urbano, vivo. Onde viviam as pessoas, onde regressavam á noite, se alimentavam, onde produziam a sua própria comida. Com todos os falhanços, eram comunidades muito vivas.
Havia uma discripância muito grande do ponto de vista material, no fundo havia uma familia que era a dona maior do bolo e as outras muitas vezes viviam mal, dependendo de casas para casas, uns mais tiranos, outros menos... mas a verdade é que eram estruturas sociais colectivas vivas e dinâmicas...
Depois, quando começaram a despedir gente, os donos das terras acabaram sózinhos. O Monte despovou-se...
A estrutura social morreu completamente, a alma do sitio perdeu-se para sempre...
Excerto do texto do compadre Zé Pedro, do Monte do Carvalheiro (Ferreira do Alentejo), publicado na Revista Alambique em NOV 2009.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
POETAS E POESIA ALENTEJANA
Minha Mãe foi rancheira
Num rancho de ceifadores,
Pariu-me lá p'ra ribeira
Toda torcida com dores.
Meu Pai era um ganhão
Seu nome era Bailundo
Lá p'ras terras do suão
Maltês do fim do mundo.
E ali também eu nasci
Numa cama de palhiço
Foi ao meu Pai que ouvi
Já não me lembro disso.
Eu comi açorda de poêjo
E migas de pão rojão
Se dissesse um gracejo
Tiravam-me logo o pão.
Para as bocas alimentar
Lavrei terra, e colhi pão
Fui um moiro a trabalhar
Cheio de suor e sofridão.
Fui um pastor de ovelhas
E dos porcos um maioral
Ensopado até às orelhas
Nas semanas de temporal.
Nesta vida de ganhão
Sonhos, tenho de sobra
Corta-se-me o coração
Rastejar como a cobra.
Sonhava com melhorias
Não querendo ser ganhão
Nestas grandes ganharias
Eu sonhava, ser patrão.
O sonhar do pobre é bom
Mas ao acordar, já não.
O sonhar do rico, é dom
A tudo chega com a mão.
ZÉ RUSSO
14-11-2013
.POETAS E POESIA ALENTEJANA
BOM DIA MINA
Toca o sino da igreja
Dá as badaladas do meio dia
Lá vem uma rica açorda
Como outrora se fazia
Toca o sino para avisar
Que já cheira a quentrinhos
Está na hora de almoçar
Uma açorda com alhinhos
Dá as doze badaladas
Já ninguém se vai esquecer
Que a açorda está temperada
Com a águinha a ferver
Toca o sino,fica parado
Já não repete o seu tocar
O caldo já está vazado
Falta o pão mergulhar
O ovo está cozido
E o sino já parou
Quem não veio tivesse vindo
Eu á mesa,sentada estou
Com um frio de rachar
Que lá fora se faz sentir
Nem o sino quer tocar
Nem as sopas serôdias repetir...
M.Medeiros 30/11/2012
POETAS E POESIA ALENTEJANA
EU SOU....
Sou Mulher
Sou corajosa
Sou rebelde
Sou Mãe extremosa
Sou esperança sou verdade
Sou harmonia e humildade
Sou cativante e vaidosa
Sou extroverdida e teimosa
Sou impulsiva e carinhosa
Sou afecto e amizade
Sou fiel ao meu amigo
Sou protectora de quem gosto
Sou adversa á mentira
Sou contra o egoísmo
Sou assim.......................
Porque gosto e quero ser
A Mulher liberdade e justa
E assim serei enquanto viver!!!
EU SOU...............................
20-9-2011-Graça Basilio
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
VAMOS Ó BAIHO ?
Nos anos 50 do passado século, Entradas registava o seu maior crescimento demográfico, havia por essa altura perto de 2000 pessoas a residirem por estas bandas.
As famílias eram invariavelmente numerosas e a vila transbordava de juventude. A maioria destas famílias tinha na sua prole 4, 5 ou mais filhos para sustentar, tarefa difícil de levar a cabo em terra de paupérrimos recursos e onde os trabalhos eram quase sempre de carácter sazonal, logo, com largos períodos de carência onde a imaginação era levada ao limite para alimentar tanta boca ávida de pão.
Os moços e moças assim que ganhavam corpo eram encaminhados para trabalhos que não eram proporcionais às suas fracas figuras. No entanto, e como é próprio da juventude, a diversão e o catrapisco namorativo, davam-lhe ânimo para depois de longas jornadas de trabalho, ainda irem arrastar os pés cansados nos bailes tradicionais que por aqui se realizavam. Estes bailes eram realizados em casas particulares com duas intenções: uma para aconchegar o parco orçamento familiar através das entradas e das vendas de petiscos, outros com uma intenção mais hábil que consistia em “ fazer solo” ou seja; como o chão das casas era em terra batida, estes ocasionais “ balhos” serviam para calcar o chão da divisão pretendida, matando-se assim, dois coelhos de uma só cajadada.
Nesse tempo haviam dois bailes com garantia de casa cheia, eram os “ balhos da Patanisca” e os “ balhos da Torradinha” assim conhecidos, porque durante o serão dançante havia um convite formal ao consumo, aqui chamado de “ garvanço” que consistia em comer pataniscas, ou torradinhas consoante o organizador da função.
Como a electricidade ainda era coisa de que nem se ainda ouvira por aqui falar, a “ balhação” era feita à luz de candeeiro a petróleo, o que presumo que daria ao ambiente um certo toque romântico, propicio à troca de olhares mais cúmplices ou ao jogo das sombras decalcadas nas paredes. Quando não havia flautista, ou acordeonista, os bailes eram cantados, ou seja; bailava-se, ria-se e cantava-se ao mesmo tempo, e segundo testemunho dos que me são próximos, a diversão não deixava de estar garantida por tão importante falha.
Por esse tempo, moço que se prezasse trazia nos bolsos dois objectos importantes, navalha e “ flaita”. Navalha porque faz parte da indumentária de qualquer alentejano que se preze, e “flaita” para animar musicalmente bailes ou mesmo outros períodos de ócio, nomeadamente na pastorícia onde o tempo abunda e o bulício da solidão convidam ao pincelar de sons a paisagem transtagana.
Por essa altura havia em Entradas um acordeonista de três acordes, de seu nome Manuel do Carmo, que animava os “ balhos” de então. Este músico taberneiro, percursor da música brejeira hoje tão em voga, vincava no fole do seu instrumento letras que ainda hoje em Entradas são recordadas e de que vos deixo breve exemplo, para que possam aquilatar da veia poética deste taberneiro, músico e poeta:
Minha sogra é forneira
Meu sogro vai à lenha
Minha vaca já pariu
E a minha mulher está prenha
BEJA EM IMAGENS
https://www.facebook.com/165271543507148/photos/a.165275666840069.33440.165271543507148/856431894391106/?type=1&fref=nf
PARA VER A TOTALIDADE DAS FOTOS VÁ CLICANDO NO CIMO DE CADA UMA.--OBRIGADO.
PARA VER A TOTALIDADE DAS FOTOS VÁ CLICANDO NO CIMO DE CADA UMA.--OBRIGADO.
sábado, 4 de outubro de 2014
BREVE DISCURSO DO DR. FRANCISCO TEIXEIRA (Pres.Dir. "MODA" )
https://www.facebook.com/video.php?v=730873400317791&set=vb.100001854143417&type=2&theater
BRANDOA (Amadora), 27-SET-2014
ENCONTRO DE GRUPOS CORAIS, por iniciativa do Grupo
BRANDOA (Amadora), 27-SET-2014
ENCONTRO DE GRUPOS CORAIS, por iniciativa do Grupo
local, em comemoração do seu 40.º aniversário)
ALOCUÇÃO DO DR. FRANCISCO TEIXEIRA (Presidente da
ALOCUÇÃO DO DR. FRANCISCO TEIXEIRA (Presidente da
Direcção da "MODA" - Associação do Cante Alentejano)
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
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