Portugal a Pé - No Pulo do Lobo onde o Guadiana se «engasga»Nuno Ferreira recorda uma Primavera alentejana, «benigna e precoce», uma caminhada até às quedas de água do Pulo do Lobo. Conversas carregadas de memórias: a lampreia que já não aparece; os montes despidos de gente, as mortes nas pedras traiçoeiras.
Nuno Ferreira* | terça-feira, 7 de Dezembro de 2010
Entre o Vale do Poço e o Pulo do Lobo, em plena primavera de 2008, benigna e precoce, a luz do sol abençoa os campos que ondulam ao sabor do trigo, pintalgados aqui e ali por manchas erráticas de papoilas e oliveiras. Serpa, a branca, aparece e desaparece ao longe, numa miragem. Bandos gregários de porcos pretos povoam os montes juntamente com os abrigos metálicos para as porcas parirem. Por ali, cada monte tem um nome: O Passa Leve, o Pena Ventosa. De há uns tempos a esta parte, existem quase mais montes que pessoas. Manuel Cavaco, 48 anos, é um dos últimos. Vive em Cabeceira de Vale Queimado, a dois quilómetros do Pulo do Lobo, numa pequena e humilde casa branca. «aqui já não há quase ninguém, a maioria dos montes estão abandonados», comenta de sorriso envergonhado nos beiços. Um pequenino cão preto segue-lhe as pisadas até à fornalha onde faz carvão para vender. Nos bons velhos tempos, ainda pescava sável e lampreia no Pulo do Lobo, uma corda grossa atada a uma rocha, uma rede com um gorro. «Em descendo lá baixo, não há medo. Nunca escorreguei. E nesse tempo, vendia-se bem a lampreia. Agora já não se apanha nada». Em descendo até ao Pulo do Lobo pela margem esquerda, a de Serpa, sou surpreendido por um casal estrangeiro pedalando furiosamente uma bicicleta dupla encosta acima. Não lhes invejo a sorte. Do lado do concelho de Mértola, uma estrada desemboca num miradouro sobre as rochas, permitindo observar o repelão das águas em fúria em segurança. Do lado de Serpa, a amálgama de pedras em erosão, a miríade de pequenas entradas e saídas nas rochas, buraco aqui, buraco ali, transforma a aproximação às águas revoltosas do engasgado Guadiana muito perigosa. «A maioria das pessoas fica lá em cima e acaba por não ver nada», explicaram-me mais tarde em Serpa, «não há condições de segurança para andar lá em baixo». Insisti comigo mesmo que não podia largar o Pulo do Lobo sem uma foto. Conseguia ouvir o turbilhão da torrente de água a cair mas não enxergava quase nada porque existia sempre mais uma rocha para trepar. A determinada altura, larguei a roupa num local seco para tentar chegar o mais perto possível da queda de água em calções. Em boa hora, dei-me conta do perigo estúpido da situação. Tirei uma foto e vim embora. Mais tarde, em Serpa, António Mestre, conhecido por «Pinta Xarolas», ex-pescador de sável e lampreia no «Pego dos Sáveis», a parte inferior da queda de água onde paravam os pescadores, contou-me que um dia ia lá ficando: «Pescávamos a lampreia com uma vara que segurava um arco de madeira com um gorro de rede lá O «Pinta Xarolas» atava a corda a uma rocha de 15 metros. Descia. «Se calhava não chegar à água, voltava a atar a corda a outra rocha até chegar à pilheirinha onde me sentava», contou. Dos que ali pescavam com cordas como ele, contou os vivos pelos dedos: «O Ti Beatriz, o António Neves...o Zé Pelica já morreu...morreram quase todos». Com as barragens, acabaram-se o peixe e as noites de 50 a 60 lampreias, a fogueira lá em cima, nas rochas cimeiras, preparada para o convívio. «Tenho muitas saudades. Se ainda houvesse lampreia, mesmo com esta idade, era capaz de descer essas rochas más outra vez», sonhava em voz alta o «Pinta Xarolas». Do Pulo do Lobo a Serpa corre uma estrada desolada, os campos vedados de um e do outro lado das bermas. Numa herdade, leio numa placa: «É permitido até 14 de Março apanhar cogumelos às quartas e domingos». Sucedem-se as grandes herdades de caça turística. «Os ricos de Lisboa caçam aí perdizes, lebres, até veados...» explicam-me. À porta de uma herdade, um homem de colete à Coronel Tapioca encosta-se a um jeepe fala ao telemóvel: «O engenheiro que venha cá ver isto. Temos de resolver a situação até ao fim de semana». A luz enviesada do fim do dia surpreende-me a dois quilómetros das imperiais da Cervejaria Lebrinha e de uma boa cabeça de borrego assada quando um homem numa Renault me oferece boleia: «Aguentas aí um bocadinho, estou cortando erva para as minhas duas éguas e já abalamos». Deixa-me à porta da cervejaria - «Bebe duas por mim»- e convida-me para a partida de futebol no dia seguinte. Resultado: Futebol Clube de Serpa-4; São Marcos da Ataboeira-0. (*) Nuno Ferreira nasceu em Aveiro em 1962. Licenciou-se em comunicação social na Universidade Nova de Lisboa. Foi colaborador permanente do semanário Expresso de 86 a 89, ano em que ingressou nos quadros do jornal Público (até 2006). Nos últimos 20 anos fez reportagens de cariz social. No Jornal Público manteve uma crónica satírica intitulada “Ficções do País Obscuro” e escreveu sobre música popular americana. Recebeu, entre outros, o Prémio de Jornalismo de Viagem do Clube de Jornalistas do Porto com o trabalho «Route 66 a Estrada da América» (1996). No ano seguinte recebeu o Prémio de Jornalismo de Viagem do Clube Português de Imprensa com o trabalho «A Índia de Comboio». Em 2007 publicou conjuntamente com Pedro Faria o livro «Ao Volante do Poder». |
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
PULO DO LOBO ONDE O GUADIANA SE ENGASGA.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
OS MONTES ALENTEJANOS
OS MONTES
Os montes do Alentejo
Sonho que ainda os vejo
Cheios de encanto e beleza
Rodeados pela natureza
Casas de simples fachada
Na outra época passada
Mostravam a sua singeleza
Naquele tempo de pobreza
Suas paredes eram feitas
Com barro pedra e cal
Tão diferentes do actual
Com a cal branca
As suas paredes eram caiadas
E as suas barras pintadas
Com oca de cor azul
Azul da cor do céu
Sempre assim se manteve
As cores dos montes na zona sul
Essas casas velhinhas
Com as paredes branquinhas
Nos beirais os ninhos das andorinhas
Todos tinham uma lareira
Onde crepitava a lenha da azinheira
Nas noites frias de inverno
Enquanto a chuva lá fora caía
E às vezes o vento mal bulia
De manhã o sol de novo surgia
Trazendo luz e cor ao monte
Vindo do além do horizonte
Que os tornava mais belos
Como eu gostava de vê-los
Os montes do Alentejo
27-08-2014
Perpétua Rodrigues
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
sábado, 10 de janeiro de 2015
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
BRASÕES DA NOSSA TERRA.
Oscar Aires
Foi o tema,solicitado pala adeministração do grupo,para o
dia de hoje.
decidi publicar para todo o grupo,o Brasão da terra de todos
nós.
MESSEJANA---------- BAIXO ALRNTEJO
Messejana - Baixo Alentejo.
Messejana é uma freguesia portuguesa do concelho de Aljustrel, com 113,77 km² de área e 892 habitantes (2011). Densidade: 7,8 hab/km².
O seu nome teve origem na palavra árabe masjana, que significa prisão ou cárcere. Deriva do verbo sajana (encarcerar, meter na prisão).
Reconquistada aos mouros por Dom Sancho II em 1235, recebeu de Dom Dinis categoria de concelho (extinto em 24 de Outubro de 1855, pelo Ministro do Reino Rodrigo da Fonseca). Dom Dinis mandou restaurar seu castelo em 1288 e doou a vila à Ordem Militar de Santiago da Espada.
Dom João III doou-a a Dom João da Silva, Senhor de Vagos, conhecido como “Grande Regedor“. Sucedeu-lhe seu filho Dom Lourenço da Silva, que fez construir (1566-1570) o convento para frades franciscanos e a Igreja da Misericórdia. Dom Lourenço da Silva morreu com cinco irmãos em 1578, na batalha de Alcácer Quibir, da qual participaram a pedido da mãe, que recebera Dom Sebastião em Messejana, em 1573.
Messejana chegou a ter 11 igrejas: a Matriz, a da Misericórdia, a de N. Senhora d‘Assunção, a de N. Senhora do Carmo, a de S. Marcos, a do Convento, a dos Santos Reis, a do Espírito Santo, a de S. Sebastião, a de S. Braz, a de S. Pedro (o velho) e a igreja de S. Pedro (o novo), que não chegou a ser acabada. Também existiam em Messejana três capelas particulares.
Actualmente só há quatro: Igreja Matriz, Igreja da Misericórdia, Igreja de N. Senhora d‘Assunção e Igreja dos Santos Reis. Para além das igrejas, existe ainda a capela da Aldeia dos Elvas.
Podem-se ver ainda as ruínas do Castelo medieval, a Torre do Relógio, as ruínas do Convento, o Fontanário de Alonso Gomes, o Cruzeiro da Independência, casas solarengas e o Museu Etnográfico Biblioteca Pública.
Terra histórica, foi berço de pessoas ilustres e palco de episódios importantes. Recebeu foral de D. Manuel I a 1 de Julho de 1512. D. Joäo II esteve em Messejana em 8 e 9 de Outubro de 1495 quando seguia, doente, para as Caldas de Monchique. Quando D. Sebastião visitou o Sul em 1573, esteve quatro dias em Messejana com a comitiva.
O termo da vila englobava também a freguesia da Conceição. Após 1836, foram-lhe anexadas as freguesias de Vale de Santiago, Alvalade, Casével e Panóias.
O Duque da Terceira esteve em Messejana com sua força militar, reunindo seu conselho de brigadeiros em 17 de Julho de 1833, quando ficou decidida a tomada de Lisboa que deu a vitória aos liberais, os quais derrotaram os miguelistas em 24 de Julho de 1833.
foto e texto Bruno Cruz
GRUPO CORAL DA GUARDA NACIONAL REPUBLICANA
Pedro Mestre partilhou o vídeo de Francelino Domingues.
Francelino Domingues carregou um vídeo novo: Grupo Coral da Guarda Nacional Republicana - Francelino.
Grupo Coral da Guarda Nacional Republicana, Moda dedicada as Mães - Francelino Domingues
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
domingo, 4 de janeiro de 2015
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