Um espaço para revisitar as emoções vividas no Grupo do Facebook: Alentejo-Terra e Gente
terça-feira, 18 de agosto de 2015
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
O ALENTEJO QUE CONHECI
O ALENTEJO QUE CONHECI
"Feição de nobreza
Netos de pobres, filhos de pobres, que a pobreza sempre campeou por aí pelas casas dos trabalhadores rurais, tem o Alentejo essa feição de nobreza: não se avilta por ser pobre.
Entre as tarefas anuais de mondas, varejo e apanha de azeitona ou ceifas, ficavam os chefes de família encostados pelas esquinas, no centro dos povoados, velando a ansiedade e o medo de não conseguirem alguma tarefa ou biscate que os livrasse da humilhação de ver a mulher e os filhos a pedir de porta em porta…
Eram ciclos de pão e de fome intercalados. Foi assim anos e anos, gerações e gerações.
Foi assim que esta nossa gente, rica de privações, se tornou conhecedora privilegiada do real valor do pão, porque de pouco mais dispunha (quando dispunha!) inventando as formas de o comer da mais consoladora maneira – quer de Inverno – quer de Verão! – Que ter pão – já era ser remediado!...
Atrás do gado, em qualquer descampado, o pastor procurava uma amurada, uma abrigadinha, juntava uns gravetos, acendia o isqueiro de torcida, fazia crepitar o lume, fervia uma pouca de água na marmita que tirava do alforge mais a “corna” onde guardava o azeite que vinha de casa já com o gostinho do alho pisado com poejos ou coentros. Migava à mão as sopas do “marrucate” duro que trazia no taleigo e, mal a água fervia escaldava a mistura fazendo nascer a cheirosa açordinha que comia bem quente, sorvendo o caldo e condutando o regalo com um punhado de azeitonas.
- Bendita açorda que consola corpo e alma, matando a fome, aquecendo e incensando o bafo!
- Mudam os tempos. O calor embebeda o ar de cheiros de pastos estorricados; as ervas suam perfumes tão vibrantes como o canto das cigarras. O pastor escolhe então o chaparro mais frondoso, a oliveira mais redonda ou o freixo à beira de água, o gado rendido pela inclemência do sol, estende-se na sombra almejada e o ritual repete-se…
Do meringue que levava a tiracolo sai a água “choca” a que o vinagre emprestará a ilusão de frescura.
Lá vem de novo a “corna” fornecer o azeite com o gostinho picante do alho pisado, e lá vem o taleigo dar o “panito” que ao ser migado estala de seco.
Lá vêm os orégãos para o perfume e aí está a vinagrada ou o gaspacho que como a açorda ele come com o talher de bucho lavrado, esculpido a canivete em longos dias de solidão, e que usa entalado, preso na fita do chapéu!
Volta a “manchinha” de azeitonas para condutar e aí está – frugal, refrescante, pobre mas sadia a refeição inventada com o uso sábio do “ quase nada” que ás vezes havia…
Assim se ressalvava a dignidade, cumprindo o direito ao sustento de cada dia, como cabe à condição humana.
Nestes tristes tempos em que tão pouco nos vão deixando é bom que em nós persista o brio de sermos portugueses com a coragem herdada desta feição de família, deste traço de nobreza ancestral tão a carácter do bom alentejano.
Foi Manuel Castro, trabalhador rural, natural de Cuba, (que só na tropa conseguiu aprender a ler), quem escreveu estas quadras, que em honra da sua memória transcrevo:
“Há muito pobre que tem
pena da sua pobreza:
Saber ser pobre, também
É uma grande riqueza
Gosto muito da pobreza
Que me cabedou por sorte.
Só basta ter a certeza
Que me é firme até à morte”
Publicado por Luis Milhano em Alentejo nossa musica
.Maria José Rijo
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
terça-feira, 11 de agosto de 2015
PINTORES E PINTURAS DO ALENTEJO -- DE FLÁVIO HORTA
Cantador e tocador de Campaniça…
"Cante III", 2015 - tinta da china sobre papel (29,7x42)cm
Inspirado em imagens de filmes de Tiago Cação e João Espada
PINTURAS E PINTORES DO ALENTEJO ---DE FLÁVIO HORTA
"Cante VI", 2015 - tinta da china e Posca branca sobre papel (29,7x42)cm
Inspirado em imagem do filme "Polifonias - Paci é saluta, Michel Giacometti” de Pierre-Marie Goulet
Mais um desenho sobre o Cante e, pelos vistos novamente na Cuba e na Taberna do Arrufa!... Já parece um fetiche, mas desta vez foi mesmo ao acaso... Só soube onde era esta cena depois de já estar quase acabado
.PINTURAS E PINTORES DO ALENTEJO...
Galeria de Arte da CCDR Évora - Portugal.
Aguarela s/papel Fabriano artistico 640g 75x55cm
PINTOR JÚLIO JORGE
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
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