segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O ALENTEJO QUE CONHECI


O ALENTEJO QUE CONHECI


"Feição de nobreza



Netos de pobres, filhos de pobres, que a pobreza sempre campeou por aí pelas casas dos trabalhadores rurais, tem o Alentejo essa feição de nobreza: não se avilta por ser pobre.

Entre as tarefas anuais de mondas, varejo e apanha de azeitona ou ceifas, ficavam os chefes de família encostados pelas esquinas, no centro dos povoados, velando a ansiedade e o medo de não conseguirem alguma tarefa ou biscate que os livrasse da humilhação de ver a mulher e os filhos a pedir de porta em porta…
Eram ciclos de pão e de fome intercalados. Foi assim anos e anos, gerações e gerações.
Foi assim que esta nossa gente, rica de privações, se tornou conhecedora privilegiada do real valor do pão, porque de pouco mais dispunha (quando dispunha!) inventando as formas de o comer da mais consoladora maneira – quer de Inverno – quer de Verão! – Que ter pão – já era ser remediado!...
Atrás do gado, em qualquer descampado, o pastor procurava uma amurada, uma abrigadinha, juntava uns gravetos, acendia o isqueiro de torcida, fazia crepitar o lume, fervia uma pouca de água na marmita que tirava do alforge mais a “corna” onde guardava o azeite que vinha de casa já com o gostinho do alho pisado com poejos ou coentros. Migava à mão as sopas do “marrucate” duro que trazia no taleigo e, mal a água fervia escaldava a mistura fazendo nascer a cheirosa açordinha que comia bem quente, sorvendo o caldo e condutando o regalo com um punhado de azeitonas.
- Bendita açorda que consola corpo e alma, matando a fome, aquecendo e incensando o bafo!
- Mudam os tempos. O calor embebeda o ar de cheiros de pastos estorricados; as ervas suam perfumes tão vibrantes como o canto das cigarras. O pastor escolhe então o chaparro mais frondoso, a oliveira mais redonda ou o freixo à beira de água, o gado rendido pela inclemência do sol, estende-se na sombra almejada e o ritual repete-se…
Do meringue que levava a tiracolo sai a água “choca” a que o vinagre emprestará a ilusão de frescura.
Lá vem de novo a “corna” fornecer o azeite com o gostinho picante do alho pisado, e lá vem o taleigo dar o “panito” que ao ser migado estala de seco.
Lá vêm os orégãos para o perfume e aí está a vinagrada ou o gaspacho que como a açorda ele come com o talher de bucho lavrado, esculpido a canivete em longos dias de solidão, e que usa entalado, preso na fita do chapéu!
Volta a “manchinha” de azeitonas para condutar e aí está – frugal, refrescante, pobre mas sadia a refeição inventada com o uso sábio do “ quase nada” que ás vezes havia…
Assim se ressalvava a dignidade, cumprindo o direito ao sustento de cada dia, como cabe à condição humana.
Nestes tristes tempos em que tão pouco nos vão deixando é bom que em nós persista o brio de sermos portugueses com a coragem herdada desta feição de família, deste traço de nobreza ancestral tão a carácter do bom alentejano.
Foi Manuel Castro, trabalhador rural, natural de Cuba, (que só na tropa conseguiu aprender a ler), quem escreveu estas quadras, que em honra da sua memória transcrevo:
“Há muito pobre que tem
pena da sua pobreza:
Saber ser pobre, também
É uma grande riqueza
Gosto muito da pobreza
Que me cabedou por sorte.
Só basta ter a certeza
Que me é firme até à morte”

Publicado por Luis Milhano em Alentejo nossa musica


.Maria José Rijo


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

..UMA VISITA PELO ALENTEJO




UMA VISITA PELO ALENTEJO


 castelo de Mourão.

UMA VISITA PELO ALENTEJO


.UMA VISITA PELO ALENTEJO


.UMA VISITA PELO ALENTEJO




Estas louças em esmalte

eram as mais utilizadas
mas nem toda a gente tinha
acesso a elas.


.UMA VISITA PELO ALENTEJO


.UMA VISITA PELO ALENTEJO


..UMA VISITA PELO ALENTEJO.


Pelo litoral Alentejano (Vila Nova de Milfontes) Odemira

terça-feira, 11 de agosto de 2015

PINTORES E PINTURAS DO ALENTEJO -- DE FLÁVIO HORTA





Cantador e tocador de Campaniça…
"Cante III", 2015 - tinta da china sobre papel (29,7x42)cm
Inspirado em imagens de filmes de Tiago Cação e João Espada


PINTURAS E PINTORES DO ALENTEJO ---DE FLÁVIO HORTA



"Cante VI", 2015 - tinta da china e Posca branca sobre papel (29,7x42)cm



Inspirado em imagem do filme "Polifonias - Paci é saluta, Michel Giacometti” de Pierre-Marie Goulet



Mais um desenho sobre o Cante e, pelos vistos novamente na Cuba e na Taberna do Arrufa!... Já parece um fetiche, mas desta vez foi mesmo ao acaso... Só soube onde era esta cena depois de já estar quase acabado

PINTORES E PINTURAS DO ALENTEJO --- DE COSTA ARAUJO





.PINTURAS E PINTORES DO ALENTEJO --- PINTURA DE CLARISSE CRUZ



.PINTURAS E PINTORES DO ALENTEJO...




Galeria de Arte da CCDR Évora - Portugal.


Aguarela s/papel Fabriano artistico 640g 75x55cm

PINTOR JÚLIO JORGE